sábado, 12 de julho de 2014

SER PSICÓLOGO



Um poema de Walmir Monteiro a todos os psicólogos






Ser psicólogo é uma imensa responsabilidade. Não apenas isso, é também uma notável dádiva. Desenvolvemos o dom de usar a palavra, o olhar,  as nossas expressões, e até mesmo o silêncio. O dom de tirar lá de dentro o melhor que temos para cuidar, fortalecer, compreender, aliviar.

Ser psicólogo é um ofício tremendamente sério. Mas não apenas isso, é também um grande privilégio. Pois não há maior que o de tocar no que há de mais precioso e sagrado em um ser humano: seu segredo, seu medo, suas alegrias, prazeres e inquietações.

Somos psicólogos e trememos diante da constatação de que temos instrumentos capazes de favorecer o bem ou o mal, a construção ou a destruição. Mas ao lado disso desfrutamos de uma inefável bênção que é poder dar a alguém o toque, a chave que pode abrir portas para a realização de seus mais caros e íntimos sonhos.

Quero, como psicólogo aprender a ouvir sem julgar, ver sem me escandalizar, e sempre acreditar no bem. Mesmo na contra-esperança, esperar. E quando falar, ter consciência do peso da minha palavra, do conselho, da minha sinalização. Que as lágrimas que diante de mim rolarem, pensamentos, declarações e esperanças testemunhadas, sejam segredos que me acompanhem até o fim.

E que eu possa ao final ser agradecido pelo privilégio de ter vivido para ajudar as pessoas a serem mais felizes. O privilégio de tantas vezes ter sido único na vida de alguém que não tinha com quem contar para dividir sua solidão,
sua angústia, seus desejos. Alguém que sonhava ser mais feliz, e pôde comigo descobrir que isso só começa quando a gente consegue realmente se conhecer e se aceitar.

Walmir Monteiro

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Sobressalto



Susto é de repente não acordar.
É parar de sentir.
É deixar de achar.
Susto é se perder.
É parar pra ver.
Perceber.
Susto é de repente não ter pra onde ir.
É querer estar.
É querer fugir.
Susto é não poder mais.
É estar pra sempre.
Ou nunca mais.

Aline Westphal

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Desassociando




Me sento a beira da mesa, repleta de trabalhos a fazer, olho para uma estante cheia de livros e fecho os os olhos por um segundo, estou  me deslocando para outro lugar.
Estou dentro de uma loja funebre, entre os meus pensamentos insanos. Pergunto para mim mesma com um outro tom de voz: “Posso ajuda-lá?”
E respondo mudando mais uma vez meu tom de voz: “Vou levar este aqui.”
Pego um livro qualquer que finjo nunca ter lido, aproveitando um pouco da sensação e mergulho de novo.
Volto para escrever os relatos dessa viagem estranha. 
A beira da cama com uma caneta na mão, eu perdi mais uma vez a minha ideia inicial.
“O que era mesmo que eu estava fazendo aqui?”

Aline Westphal

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Brincar de vida!



Porque ele fez da vida um brinquedo.
E me colocou como peça reserva.
Só que pro meu azar, ele soube conservar suas coisas, tão bem que elas nunca quebraram.
Então eu nunca fui usada como eixo principal, mas sempre como uma peça reserva esperando uma possível perda.
Então eu aprendi a brincar, e também fiz da minha vida um brinquedo.
E ela se tornou um grande e lindo quebra-cabeça.



Aline Wesphal

Fuck You!



Ta difícil demais, pra prosa, pra rima e pra verso.
Eu não quero escrever nada bonito.
Nem o tempo, nem as pessoas, nem nada tem me ajudado.
Minhas verdades são tão incertas, que eu não sei se cuspo elas na sua cara, ou simplesmente engulo mais uma vez.
Talvez eu só escreva e desabafe.
Talvez eu quebre tudo e me afaste.
Quebre tudo dentro de mim claro, porque você não vale um objeto partido.

Aline Westphal

domingo, 10 de junho de 2012

Deixa ir


Foi nos erros e tropeços que aprendi o sentido das coisas.
Sem concordar, eu tive que ir mesmo assim.
De tanto cair, passei a não me importar mais com a dor.
E de tanto perder, passei a valorizar o pouco que tinha.
Não me importo de ficar sozinha outra vez.
Não me importo se não notarem a minha presença.
Tudo que começa, um dia sempre acaba não é?
Quantas vezes me exigiram cabelos penteados e roupas bonitas.
Uma postura e um sorriso no rosto.
Uma menina bonita, com o pensamento distante e olhos tristes.
Porque não ser como todo mundo?
Apesar de dramático e estranho, eu gosto das coisas assim.
Por piores que possam parecer, elas tem o seu valor.
São nesses detalhes, não tão belos, mas cheios de sentido é que eu me encontro.
Então me deixe ir, como aquela porcelana que caiu da estante.
As marcas da fragilidade em cada rachadura, mas não mais presa em um lugar decorativo.
Só me deixe ir, porque aqui não tem mais lugar pra mim.
Porque eu não me importo de ficar sozinha outra vez.
Não me importo em estragar tudo, no entanto que eu fique bem assim.

Aline Westphal


sábado, 9 de junho de 2012

Irmandade


Estou aqui de passagem, nesse lugar de todos.
Vivendo como uma grande família.
Todos temos os mesmos direitos, a escolha e a liberdade.
Quantas vezes teremos que errar até aprendermos a amar?
Continuarei a retribuir a sua ganância com o meu amor, e jogarei flores pelo caminho.
A loucura esta nesse mundo de faz de conta, que não nos desapegamos.
Criando a fantasia de sermos melhores um dia.
Então plantamos a discórdia, o repúdio e geramos mais guerra.
Mas sabe, eu continuarei..
Continuarei a jogar flores pelo caminho.
Acredito que isso ainda possa mudar ,esse ar gélido ainda se tornará uma brisa de outono.
Amigo, aceite a paz de um dia tranquilo.. e veja as flores..
As flores que nascem atrás de você!

Aline Westphal